Treinador da Geração Benfica fala sobre valores, paixão e o papel do futebol de base na formação de jovens dentro e fora de campo.

Com olhar sereno e discurso apaixonado, Pedro Santos, treinador das Escolas de Futebol Geração Benfica, fala com a convicção de quem vive o futebol desde dentro. Para ele, formar jogadores é importante — mas formar pessoas é essencial. Entre o campo, o vestiário e o coração, Pedro defende que a base é o lugar onde nascem os verdadeiros valores do jogo.
“Antes de mais, agradeço o convite para participar desta entrevista e poder contribuir para uma visão mais positiva sobre o futebol de base”, iniciou. “Com grande espírito de compromisso e dever, poder trabalhar entre dois escalões, junto com a minha área profissional, é algo muito gratificante.”
Ensinar é formar caráter
Na Geração Benfica, Pedro Santos vive de perto o crescimento de jovens talentos e conhece como poucos as diferenças entre as categorias. Entre o entusiasmo dos sub-11 e a maturidade dos sub-15, o treinador encontra dois mundos que exigem abordagens distintas, mas complementares. “A grande diferença é, sem dúvida, a explicação do futebol de uma forma mais pura. Nos sub-11, o foco está na melhoria do passe, da recepção e no contato com a bola. Já nos sub-15, tudo é mais técnico e tático, desde a abordagem até ao sentido posicional.”
Para o técnico, ensinar não é apenas transmitir conhecimento — é compartilhar paixão e valores. “Poder ensinar, contribuindo com a minha paixão pelo jogo e pela educação do atleta enquanto jogador individual, e explicar o jogo coletivo é algo fantástico. É uma experiência única e muito enriquecedora.”
Com nostalgia, Pedro lamenta a perda de algo que, para ele, moldava os grandes talentos de outras gerações: o futebol de rua. “Uma das grandes diferenças da formação nos últimos 20 ou 25 anos é que o atleta perdeu o futebol de rua. O simples ato de fintar um obstáculo, brincar na rua, fazer traves com baldes de lixo ou pedras… tudo isso desapareceu. O jovem jogador tornou-se muito mecanizado.”
O treinador procura resgatar essa essência através do contato com a bola. “Meu objetivo é devolver esse contato. O jogo está muito anárquico, e é cada vez mais raro ver um jogador com decisão de pura classe e instinto, como Juan Riquelme, Pablo Aimar ou Andrea Pirlo — jogadores que eram verdadeiros decisores em campo.”

Pedro defende a simplicidade como uma das chaves do ensino esportivo. “As crianças são autênticas esponjas. Absorvem tudo. Por isso, a explicação precisa ser curta, simples e concreta, sem floreios nem termos difíceis. É necessário usar uma linguagem que funcione tanto na relação treinador-jogador quanto entre os próprios atletas.”
O técnico acredita que os fundamentos são o alicerce de tudo. “Para mim, os pontos mais fundamentais são o passe, a recepção, a colocação dos apoios, a comunicação e, volto a dizer, o contato com a bola. Esses aspectos ajudam o jogador a ter um alto nível de sucesso na transição para o futebol de 11.”
Mais do que futebol
A filosofia de Pedro Santos vai além dos treinos. Para ele, a formação é também um exercício de cidadania. “Esses valores precisam estar intrinsecamente ligados à forma de ser e de pensar do treinador. Não adianta pedir a um atleta que seja correto se o próprio treinador não é. É preciso respeito pelo colega de equipe, pelo adversário, pela arbitragem. Não vale tudo para vencer. Não estamos apenas formando atletas, mas futuros homens que viverão em sociedade. E essa sociedade tem regras.”
Com um discurso carregado de emoção, o técnico resume seu propósito de vida numa frase simples. “Ver a felicidade no rosto dos meus atletas, vê-los sorrindo por estarem fazendo algo que amam — isso sim me deixa completo. O futebol de base é muito mais do que futebol. É o ponto de partida para futuros homens e para um mundo melhor.”
Ambicioso e apaixonado, Pedro quer continuar crescendo dentro da Geração Benfica e levar sua experiência além das fronteiras. “Meus objetivos são aprender o máximo possível e evoluir não só como treinador, mas também como pessoa. Gostaria de contribuir para o desenvolvimento do futebol em países onde o esporte ainda não é tão desenvolvido. Tenho também o sonho de, um dia, trabalhar na Inglaterra — mas passo a passo.”
Antes de encerrar, o treinador deixa uma mensagem que sintetiza sua forma de ver o jogo e a vida. “Desfrutem do jogo, desfrutem do momento, desfrutem do futebol de base. É uma das melhores experiências que o treinador, o jogador e os pais terão. Se for assim, acreditem: nunca será só futebol.”






























































